| Numa
recente conferência internacional sobre a tecnologia de tratamento
água de esgoto, Ben F. Kalisvaart (consultor chefe de tecnologia
UV da Berson UV-techniek da Holanda), levantou a seguinte dúvida:
“Qual é a melhor? Desinfecção UV de água
de esgoto de canal aberto ou de canal fechado?”.Em sua tese, ele
expôs o porquê de mais e mais operadores de ETEs estarem
agora optando por sistemas de desinfecção UV de canal
fechado, em vez de sistemas de tecnologia mais antiga, de canal
aberto.As razões desta mudança devem-se parcialmente
aos problemas nos sistemas de canal aberto, além das vantagens
dos sistemas de canal fechado.
As desvantagens dos sistemas de canal aberto incluem
o perigo dos operadores serem expostos aos raios UV; o crescimento
de algas em canais abertos e a dificuldade em limpar as lâmpadas,
que deve ser feita manualmente – um processo demorado e difícil
– ou levantando fisicamente e levando a um banho de ácido.
Além disso, o movimento hidráulico de
líquidos em canais abertos não é muito turbulento,
o que impede que parte deste líquido passe perto o suficiente
para receber a dosagem UV mínima necessária.
Sistemas de canal fechados, porém, não
apresentam qualquer perigo aos operadores, porque as lâmpadas
UV estão fechadas em uma câmara de aço inoxidável;
isto também elimina o problema de crescimento de algas. Cada
lâmpada têm um limpador mecânico do tubo de quartzo
que a protege, mantendo-a limpa. Uma limpeza química periódica,
caso necessário, pode ser feita ‘in-line’, sem ter que remover
as lâmpadas. Além disto, a substituição
das lâmpadas é fácil, podendo ser feita em minutos.
Devido ao projeto hidráulico de sistemas de
canal fechado também o movimento da água através
da câmara é de forma mais turbulenta que em canais
abertos, resultando e todo o líquido recebendo a dosagem
UV mínima necessário, já que passa perto das
lâmpadas.
Tecnologia das Lâmpadas
Além dos sistemas UV de canal fechado, muitos engenheiros
estão optando para lâmpadas UV de média pressão,
tipo ‘policromáticas’. Elas produzem raios UV cobrindo uma
larga faixa de ondas e demonstraram em testes independentes causar
inativação permanente tanto de microorganismos patogênicos,
como de não-patogênicos, como E.coli e Cryptosporidium
parvum (1, 2, 3).
Por outro lado, lâmpadas de baixa pressão
‘monocromáticas’, produzem um pico único na faixa
UV.
Foi demonstrado que muitos microorganismos são
capazes de se auto-regenerar após exposição
a estas lâmpadas de baixa pressão, sobre tudo se são
posteriormente expostos à luz solar – que é o ocorre
em muitas ETEs.
Acrescente-se que, com somente poucas lâmpadas
de média pressão é possivel realizar o mesmo
trabalho de uma grande quantidade de lâmpadas de baixa pressão
– isto faz com que sistemas de média pressão sejam
muito mais fáceis de operar, monitorar e mantiver. Devido
a estes fatores, a tecnologia de lâmpadas de baixa pressão
deve ser evitada em aplicações de água de esgoto.
Limpeza dos Tubos de Quartzo
Um fator importante a ser levado em consideração numa
ETE é a sujeira que é depositada nos tubos de quartzo
que protegem as lâmpadas UV. Sólidos em suspensão
e substâncias químicas na água são depositados
nestes tubos e têm que ser removidos regularmentede forma
a manter a emissão UV no nível máximo. Isto
ocorre tanto em lâmpadas de baixa pressão como em lâmpadas
de média pressão, e tanto em sistemas de canal aberto,
como em sistemas de canal fechado.
Existem duas maneiras principais de fazer o controle:
limpeza mecânica dos tubos de quartzo (com O-rings ou escovas)
ou limpeza química com ácidos.
Mesmo utilizando a limpeza mecânica, a limpeza
química terá que ser feita de vez em quando. Conforme
já explicado, com sistemas de canal aberto, as lâmpadas
UV têm que ser levantadas fisicamente do canal e transferidas
para um banho químico externo.
Com sistemas de canal fechado, produtos químicos
são simplesmente adicionados à câmara UV e a
limpeza ocorre internamente.
Para ajudar neste processo, a Berson desenvolveu o
UltraWipe®, que combina sistemas mecânicos e químicos
de limpeza. Quando acionado, limpadores automáticos movimentam-se
de uma ponta a outra dos tubos de quartzo, removendo qualquer depósito.
Ao mesmo tempo, uma quantidade mínima de ácido de
baixa concentração é aplicada aos tubos de
quartzo.
Esta ‘dosagem direta’ significa que volumes significamente
menores de ácido são necessários para a limpeza,
do que com a dosagem quimica convencional. Os produtos químicos
não são prejudiciais, de maneira alguma, nem ao meio
ambiente, nem à infrastrutura da tubulação
da ETE.
Conclusões
Sistemas UV de tratamento de água de esgoto de canal fechado
estão crescendo em popularidade junto aos operadores de ETEs.
Há muitos fatores que justificam a substituição
dos sistemas de tecnologia antiga de canal aberto por estes sistemas
Em primeiro lugar, sistemas de canal fechado são
mais seguros.
Em segundo lugar, a limpeza dos tubos de quartzo que
protegem as lâmpadas é fácil – tanto mecânica
quanto quimicamente – sem ter que remover as lâmpadas.
Em terceiro lugar, assegura que quase a totalidade
da água receba a dosagem UV mínima.
Finalmente, sistemas de canal fechado, em conjunto
com lâmpadas de pressão média resultam na destruição
permanente de microorganismos e eles não podem se auto-regenerar.
References/Bibliografia:
1. Zimmer, J. L., Slawson, R. M. & Huck, P.M.
Potential repair of Escherichia coli DNA following exposure to UV
radiation from both medium- and low-pressure UV sources used in
drinking water treatment. Applied & Environmental Microbiology,
Vol. 68 (2002), No. 7, 3293-3299.
2. Oguma, K., Katayama, H. & Ohgaki, S.
Photo-reactivation of Escherichia coli after Low- and Medium-Pressure
UV Disinfection Determined by an Endonuclease Sensitive Site Assay.
Applied & Environmental Microbiology, Vol. 68 (2002), No. 12,
6029-6035.
3. Zimmer, J. L., Slawson, R. M. & Huck, P.M.
Inactivation and potential repair of Cryptosporidium parvum following
low- and medium-pressure ultraviolet |